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O que dizer (e não dizer) na audiência de custódia

O que dizer (e não dizer) na audiência de custódia: por que calar sobre os fatos, o que relatar (maus-tratos), o papel do advogado e como a liberdade pode ser decidida em 24h.

A audiência de custódia é uma das primeiras — e mais importantes — oportunidades de conseguir a liberdade depois de uma prisão. E, justamente por isso, é cercada de dúvida: o que se deve dizer ali? O que não se deve? É hora de explicar o que aconteceu? Este texto responde a essas perguntas, porque entender o propósito dessa audiência é o que evita os erros que custam a liberdade. Aviso desde já: a orientação central é mais sobre cautela do que sobre discurso — e você vai entender por quê.

O que é (e o que não é) a audiência de custódia

A audiência de custódia é a apresentação da pessoa presa a um juiz, pessoalmente, em até 24 horas após a prisão. Ela tem um propósito específico e limitado, e entender isso é a chave de tudo:

  • Ela serve para analisar a LEGALIDADE da prisão — se a prisão foi legal, se houve maus-tratos ou tortura, e o que fazer a seguir (soltar, soltar com condições, ou manter preso);
  • Ela NÃO serve para julgar o crime — não é o momento de discutir se você é culpado ou inocente, de apresentar sua versão dos fatos, de "provar" nada. O mérito do caso será discutido depois, no processo, com calma e com defesa;
  • É sobre a prisão, não sobre o fato. Essa distinção é o que organiza o que dizer e o que não dizer.

Confundir a custódia com um "julgamento antecipado" é o erro que leva muita gente a falar demais sobre os fatos — e a se prejudicar.

O Que Dizer na Custódia — advocacia criminal em Curitiba
Análise dos autos no escritório: cada caso recebe estudo individual.

O que NÃO dizer: os fatos do crime

Aqui está o ponto mais importante: a audiência de custódia não é o momento de explicar o que aconteceu. Você tem direito ao silêncio sobre os fatos, e exercê-lo aqui é, quase sempre, a atitude certa. Por quê?

  • Ainda não se conhece toda a prova que a acusação tem — falar às cegas é arriscado;
  • A defesa ainda está se organizando — uma versão apresentada agora, no susto, sem estratégia, pode contradizer o que a defesa construirá depois;
  • Tudo o que você disser vira registro — e pode ser usado no processo;
  • O propósito da audiência não exige que você fale sobre o crime — a legalidade da prisão se discute com base em outros elementos, não na sua confissão ou versão.

Então: sobre o que aconteceu, o crime, a sua participação — silêncio, até a defesa orientar. Isso não é "parecer culpado": é exercer um direito que protege qualquer pessoa, inocente ou não.

O que É importante relatar: os maus-tratos

Há, porém, uma coisa que a audiência de custódia existe para ouvir, e sobre a qual você deve falar: se houve violência, tortura, agressão ou maus-tratos no momento da prisão ou depois. A custódia é o espaço próprio para isso — o juiz deve perguntar sobre a integridade física, e relatar agressões:

  • Protege você — aciona a apuração e a responsabilização;
  • Pode afetar a validade da prova — a prova obtida mediante violência é ilícita;
  • É um direito seu — a integridade física é garantia constitucional, e a custódia é o momento de registrá-la.

Se você sofreu maus-tratos, diga ao juiz — com a orientação do seu advogado ou defensor, que estará presente. Isso é diferente de falar sobre os fatos do crime: é falar sobre como você foi tratado.

O papel do advogado na custódia

A audiência de custódia acontece com a presença de defesa — seu advogado particular ou um defensor público. E o papel dele ali é central:

  • Ele apresenta os argumentos pela liberdade — as condições pessoais favoráveis (residência fixa, trabalho, primariedade), a desnecessidade da prisão, a ilegalidade a ser questionada;
  • Ele orienta o que você diz — inclusive o silêncio sobre os fatos e o relato de eventuais maus-tratos;
  • Ele questiona a legalidade da prisão e da abordagem;
  • Ele é a sua voz técnica naquele momento — por isso ter defesa preparada na custódia faz enorme diferença.

Se você tem advogado, ele deve estar lá. Se não tem, o defensor público atua — e você tem direito de conversar com ele antes.

Como se portar

Uma orientação prática sobre a postura na audiência:

  • Seja respeitoso e calmo — a serenidade ajuda;
  • Responda ao que for perguntado sobre sua identificação e sua integridade (se sofreu maus-tratos);
  • Exerça o silêncio sobre os fatos do crime — com tranquilidade, sem hostilidade;
  • Siga a orientação da sua defesa — que conhece o que dizer e o que reservar;
  • Relate maus-tratos, se houve — esse é o espaço para isso.

O que pode acontecer ao final

Depois de ouvir, o juiz decide:

  • Relaxa a prisão — se foi ilegal;
  • Concede liberdade provisória — com ou sem fiança, com ou sem medidas cautelares (comparecimento periódico, proibições);
  • Converte em prisão preventiva — se presentes os requisitos legais, demonstrados concretamente.

A custódia é, portanto, uma chance real de liberdade nas primeiras 24 horas — e o que decide o resultado é menos "o que você diz" e mais a legalidade da prisão, suas condições pessoais e o trabalho da defesa. Por isso a regra de ouro: na dúvida sobre o que dizer, cale sobre os fatos, relate maus-tratos se houve, e deixe a defesa falar. É essa combinação — não um discurso improvisado — que abre a porta da liberdade.

A resposta genérica termina aqui

Diante de uma audiência de custódia, a defesa preparada faz diferença. O escritório atende com urgência em Curitiba e Região Metropolitana: (41) 99519-4564.

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Perguntas rápidas

Dúvidas sobre a audiência de custódia

A audiência de custódia é o julgamento do crime?

+

Não — ela serve para analisar a legalidade da prisão e a integridade do preso, não para julgar o crime. O mérito (culpa ou inocência) é discutido depois, no processo. Confundir as duas coisas leva a falar demais sobre os fatos e a se prejudicar.

Devo explicar o que aconteceu na custódia?

+

Não — sobre os fatos do crime, o melhor é o silêncio, que é seu direito. A defesa ainda está se organizando e não se conhece toda a prova; falar no susto pode prejudicar. A legalidade da prisão se discute sem a sua versão dos fatos.

Então não falo nada?

+

Você fala sobre sua identificação e, importante, sobre eventuais maus-tratos ou agressões — a custódia existe para ouvir isso, e relatar violência protege você e pode afetar a prova. O silêncio é sobre os fatos do crime, não sobre como você foi tratado.

O advogado fica comigo na audiência?

+

Sim — a custódia acontece com defesa presente (advogado particular ou defensor público). É ele quem apresenta os argumentos pela liberdade, orienta o que você diz e questiona a legalidade. Ter defesa preparada faz grande diferença no resultado.

A custódia pode me libertar?

+

Pode — o juiz pode relaxar a prisão (se ilegal) ou conceder liberdade provisória (com ou sem condições). É uma chance real de liberdade nas primeiras 24 horas. O que mais pesa é a legalidade da prisão, suas condições pessoais e o trabalho da defesa.

Z

Artigo revisado por Dr. Vinicius Ribeiro Zimmermann, OAB/PR nº 118.934 · Publicado em julho/2026.
Conteúdo informativo e educacional, elaborado com base na legislação e na jurisprudência vigentes. Não substitui a análise do caso concreto por advogado(a).

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