Disparo (art. 15): 2 a 4 anos, a subsidiariedade que decide capitulações, o tiro de réveillon e a bala que desce, o disparo defensivo e a prova pericial (GSR).
O disparo de arma de fogo é o crime das situações-limite: o tiro para o alto na virada do ano, o disparo "de advertência" contra o invasor do quintal, o tiro acidental na limpeza da arma, a bala que sobe na comemoração e desce em telhado alheio. O art. 15 do Estatuto do Desarmamento pune com reclusão de 2 a 4 anos e multa quem dispara arma de fogo ou aciona munição em lugar habitado ou em suas adjacências, em via pública ou em direção a ela — desde que a conduta não tenha como finalidade a prática de outro crime.
Essa cláusula final é o coração técnico do tipo — a subsidiariedade expressa que decide capitulações: o disparo que era meio para outro crime é absorvido por ele (a tentativa de homicídio engole o art. 15), e a fronteira entre "atirei para o alto" e "atirei na direção de alguém" é a distância entre 2 a 4 anos e 6 a 20 no júri. Esta página organiza o tipo, as elementares espaciais (o tiro na fazenda isolada pode ser atípico), as fronteiras com os crimes maiores e com o porte, o disparo defensivo e sua análise honesta, a prova (resíduos, balística, câmeras) e os desfechos — incluindo o ANPP que a moldura comporta.
Três elementares desenham o crime:
E o concurso que a prática consolidou: quem porta ilegalmente e dispara, no mesmo contexto, responde pelo disparo — a consunção absorve o porte-meio na conduta única; portes e disparos em contextos distintos, porém, somam.

"Desde que essa conduta não tenha como finalidade a prática de outro crime" — a régua funciona assim:
A tradução prática para a defesa: nos autos de disparo, a batalha real costuma ser impedir a escalada (a promoção do 15 à tentativa de homicídio por presunção de trajetória) — e, nos autos de tentativa, demonstrar o 15 (o tiro que nunca mirou ninguém). A balística e a geometria decidem: ângulos, impactos, resíduos e câmeras valem mais que qualquer testemunho inflamado.
O clássico brasileiro merece parágrafo próprio: o tiro para cima em área urbana é o art. 15 em estado puro — lugar habitado, dolo de disparar, nenhuma finalidade criminosa além da própria imprudência festiva. E carrega o risco que o transforma: a bala que desce e fere ou mata converte a comemoração em lesão ou homicídio — com a acusação frequentemente sustentando o dolo eventual (quem dispara para o alto em área povoada assume o risco do resultado, na leitura dos tribunais) e a defesa disputando a culpa consciente: a mesma fronteira técnica da página de trânsito, agora em balística. O réveillon armado é, juridicamente, uma roleta de capitulações — e a página existe para que ninguém a gire.
"Atirei para assustar o ladrão" é a frase mais repetida do tema — e a resposta séria tem camadas. O disparo em contexto de legítima defesa real (a agressão injusta, atual ou iminente, repelida com moderação) se analisa pela excludente — inclusive o disparo de advertência como meio menos lesivo diante da invasão. Mas a excludente exige os seus requisitos: a agressão precisa existir e ser atual (o invasor em fuga já não agride — o tiro nas costas de quem foge inverte os papéis), e a moderação se afere no conjunto. O quintal, a madrugada e o medo são contexto relevante — não salvo-conduto. A orientação prática: houve disparo defensivo, preserve tudo (câmeras, o local, os vestígios) e chame a polícia você mesmo — a iniciativa e a transparência são, nesses casos, metade da defesa.
O contencioso é pericial: o exame de resíduos de disparo (GSR) nas mãos e roupas — com sua janela temporal curta e suas limitações técnicas que a defesa conhece (transferência, contaminação, negativos falsos e positivos por proximidade); a balística (arma, estojos, projéteis, trajetórias); as câmeras e o áudio de vizinhança; a apreensão e o laudo de eficácia da arma (sem arma apta demonstrada, o tipo claudica). Cada elo se audita — e o caso construído só sobre "ouvi tiros e ele estava lá" é o caso que o contraditório desmonta.
Reclusão de 2 a 4 anos e multa — sem violência ou grave ameaça contra pessoa na forma pura: ANPP cabível (mínima 2), com a fiança possível desde a queda da vedação original (ADI 3.112) e as restritivas no horizonte do primário. A ordem de análise é a de sempre: atipicidade primeiro (o espaço, o dolo, a arma inapta), capitulação em seguida (segurar o 15 contra a escalada), acordo por último — e apenas quando a acusação tem caso.
O escritório atua em casos de disparo de arma de fogo — da perícia à capitulação — em Curitiba e Região Metropolitana, com plantão de urgência: (41) 99519-4564.
(41) 99519-4564 · WhatsAppO art. 15 em estado puro: reclusão de 2 a 4 anos, com ANPP possível. O problema real é o risco de escalada — a bala que desce e fere transforma a comemoração em lesão ou homicídio, com a acusação sustentando dolo eventual. Não gire essa roleta.
Depende dos requisitos da legítima defesa: agressão injusta e atual, reação moderada. O disparo de advertência diante da invasão em curso se analisa pela excludente; o tiro em quem já foge, não. Preserve tudo e chame a polícia você mesmo — a iniciativa é metade da defesa.
Não — e essa é a fronteira mais cara do tema: o disparo na direção de alguém tende à tentativa de homicídio ou à lesão, conforme o dolo, absorvendo o art. 15. A trajetória, a distância e a balística decidem se o caso vale 2 a 4 ou o júri.
O art. 15 exige lugar habitado, adjacências ou via pública — a zona rural genuinamente erma fica fora do tipo (restando eventuais esferas administrativa e ambiental). A "adjacência" se prova com geografia real, não com presunção.
No mesmo contexto, não — o disparo absorve o porte (consunção). Contextos distintos no tempo somam. É aritmética de capitulação que muda anos de pena.
Não — o GSR tem janela curta e limitações conhecidas: transferência, contaminação, falsos nos dois sentidos. É indício técnico que se soma (ou se desmonta) no conjunto — nunca a sentença em um cotonete.
O tipo é doloso — o disparo genuinamente acidental não o preenche, respondendo o agente pelos resultados que a imprudência causar (lesão ou homicídio culposos, conforme o caso). A disputa vira a prova do acidente: posição, mecânica da arma, contexto.
Na forma pura, sim — mínima 2, sem violência contra pessoa. Antes do acordo, porém, a ordem técnica: atipicidade (espaço, dolo, arma apta), capitulação (segurar o 15), e só então o consenso — se a acusação tiver caso.
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