Falta grave: o rol do art. 50, o que ela custa (progressão, remidos, regressão) e o que não atinge, o procedimento obrigatório com defesa, a prescrição de 3 anos e as teses.
Nenhum incidente destrói tanto, tão rápido, um cronograma de execução quanto a falta grave: ela reinicia a contagem da progressão, derruba até um terço dos dias remidos, pode regredir o regime e contamina o mérito por meses. E, no entanto, é também o incidente mais derrubável da execução — porque o rol de faltas é taxativo, o procedimento tem exigências constitucionais que frequentemente se descumprem, e a punição coletiva, favorita das apurações apressadas, não sobrevive ao contraditório.
Esta página apresenta o rol completo do art. 50 da LEP, a tabela honesta do que cada falta custa (e do que ela não atinge), o procedimento que a Constituição exige, a prescrição que quase ninguém invoca e as defesas que, na prática, decidem esses incidentes.
Comete falta grave o condenado que (art. 50 da LEP): incita ou participa de movimento para subverter a ordem ou a disciplina; foge; possui instrumento capaz de ofender a integridade física de outrem; provoca acidente de trabalho; descumpre, no regime aberto, as condições impostas; desobedece ao servidor ou não executa o trabalho e as ordens recebidas (inobservância dos deveres dos incisos II e V do art. 39); possui aparelho telefônico, de rádio ou similar que permita comunicação com o exterior (inciso VII); e recusa a submissão à identificação do perfil genético, quando obrigatória (inciso VIII, incluído pelo Pacote Anticrime). Ao preso provisório, o regime se aplica no que couber.
Duas consequências decorrem da palavra taxativo. Primeira: analogia contra o preso é vedada — conduta fora do rol pode ser falta média ou leve pelos regulamentos, nunca grave. Segunda: a jurisprudência definiu as fronteiras dos incisos elásticos — no celular, os componentes essenciais contam (chip, bateria, carregador configuram a falta do inciso VII, como o STJ consolidou); na tornozeleira, o rompimento configura falta grave pela via do descumprimento de dever, enquanto a bateria descarregada vive na zona da desídia × falha justificada, com a página de monitoração dedicada a esse contencioso.

A tabela honesta, instituto por instituto:
Saber o que a falta não atinge é metade da defesa: promotores e cálculos frequentemente estendem efeitos que as súmulas negam.
Falta grave não se presume nem se carimba: exige apuração com contraditório e defesa técnica. O desenho atual, fixado pelo STF (Tema 941): a apuração se faz por procedimento administrativo disciplinar (PAD) com defesa, ou — suprindo-o — pela audiência de justificação no juízo da execução, com a presença do defensor e do Ministério Público. O que não existe é punição sem uma dessas vias: reconhecimento de falta sem oitiva assistida é nulidade que os tribunais reconhecem em série.
E há a divisão de papéis que importa: a sanção disciplinar interna (isolamento, restrições) é da direção, após o PAD; mas os efeitos na execução — interrupção da progressão, perda de remidos, regressão — são judiciais, e o juiz não é carimbo do relatório da unidade: decide após a oitiva, à luz do conjunto, com decisão fundamentada e recorrível.
Falta antiga não pune: na ausência de prazo na LEP, a jurisprudência aplica, por analogia, o menor prazo prescricional do Código Penal — 3 anos (art. 109, VI) — entre a infração e a apuração/homologação. Faltas desenterradas anos depois, para travar uma progressão iminente, caem por prescrição. A exceção lógica é a fuga: falta de natureza permanente, cujo prazo só corre da recaptura.
Perdido o incidente, começa a gestão do dano: auditar a nova data-base (o recomeço é sobre o remanescente — erros de cálculo aqui são frequentes e sempre contra o preso); conferir a fração de remidos efetivamente decotada; reconstruir o mérito com trabalho, estudo e disciplina documentados — mirando a reabilitação antecipada; e marcar o calendário da carência de 12 meses do livramento. A falta grave custa caro, mas não custa a execução inteira — salvo para quem a administra no automático.
O escritório atua na defesa em apurações de falta grave — PADs, audiências de justificação e agravos — em Curitiba, Piraquara e Região Metropolitana: (41) 99519-4564.
(41) 99519-4564 · WhatsAppNão podem ser — a punição exige individualização: vínculo concreto entre a pessoa e o aparelho. A responsabilização coletiva, sem prova individual, é a fragilidade que mais derruba apurações no contraditório.
Pela jurisprudência consolidada do STJ, sim — os componentes essenciais à comunicação equiparam-se ao aparelho para o inciso VII do art. 50. A discussão real costuma migrar para a posse individualizada.
Não. A apuração exige defesa técnica — no PAD ou na audiência de justificação com defensor e MP (STF, Tema 941). Punição sem essa garantia é nula, e a nulidade se declara com todos os efeitos desfeitos.
Três anos, pela prescrição aplicada por analogia (menor prazo do CP). Falta antiga ressuscitada para travar benefício iminente cai por prescrição — salvo a fuga, cujo prazo corre da recaptura.
Até 1/3 dos dias ainda não utilizados — e "até" se defende: a fração exige fundamentação na conduta concreta, e o que já virou benefício consumado não se desfaz.
Reinicia a contagem sobre o remanescente da pena (Súmula 534 do STJ) — efeito duro, mas delimitado: não apaga o tempo já cumprido nem alcança, por si, livramento (Súmula 441) e indulto (Súmula 535, salvo previsão do decreto).
A regressão exige oitiva prévia e decisão fundamentada — e a proporcionalidade se discute: a regressão é consequência possível, não automática, e o salto ao regime mais gravoso sem fundamento concreto é atacável por agravo.
Existe: a reabilitação antecipada do art. 112, § 7º, da LEP — atingido novo requisito objetivo com a disciplina restabelecida, a falta deixa de travar a progressão. É a porta de reconstrução que a defesa ativa não esquece.
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